Sermão das Dores de Maria Santíssima

 


Sermão das Dores de Maria Santíssima

Comemoração de Passos 2025

Com esta celebração, iniciamos nossa Comemoração de Passos, voltando hoje nosso olhar para a Virgem das Dores. Maria, a fiel serva do Pai, que nunca traiu seu SIM confiante dado a Deus, acompanha seu filho desde a Encarnação até o momento crucial de nossa história, no Mistério Pascal.

<Na vida de Jesus, o Mistério Pascal não começa com a prisão no horto, nem dura só uma semana santa. Toda a sua vida, desde que João Batista o saudou como o Cordeiro de Deus, é uma preparação para sua Páscoa. Conforme o Evangelho de Lucas, toda a vida pública de Jesus foi uma lenta e incessante “subida para Jerusalém”, onde consumaria seu êxodo (cf. Lc 9,31).

Paralelamente a este caminho do novo Adão (Jesus Cristo), segue o caminho da nova Eva (Maria Santíssima). Também para Maria, o Mistério Pascal começou muito tempo antes. Já as palavras de Simeão, sobre o sinal de contradição e sobre a espada que lhe traspassaria a alma, continham um presságio que Maria guardava no coração junto com todas as outras palavras. > [1]

Maria acompanha seu filho em todo seu caminhar na terra, e especialmente na Via dolorosa, não como as mulheres que lamentavam escandalosamente. Ela o acompanha não como o Cirineu, que só ajudou Jesus porque foi obrigado. Ela o acompanha não como os próprios discípulos de seu filho, que fugiram amedrontados. Ela o acompanha, não como os curiosos ou os incrédulos, que zombavam dele. Mas ela o acompanha serena e calma, confiante e perseverante. É para nós modelo de fé, que se fortalece mesmo diante das dificuldades da vida.

Sobre isso, de forma poética, o evangelista deixa registrado: “junto à cruz de Jesus estava de pé, a sua mãe!” (cf. Jo 19,25). De pé, como quem confia e entende que os desígnios de Deus são maiores que os nossos. Aquela espada de dor predita pelo Profeta anos antes, se cumprira. Maria vai com Jesus até o altar do calvário para o imolar, como o Cordeiro Divino que lava os pecados da humanidade.

Na via dolorosa da nossa vida, precisamos aprender a ser mais como Maria. Não nos desesperemos frente ao sofrimento. Mas também não nos conformemos com a injustiça. O silêncio de Maria é agora uma advertência a todos nós: Foi por nós que o Bom Jesus aceitou, de livre vontade, a cruz redentora. E nós, com nossos erros, nossas omissões, nosso comodismo, nossa vaidade, continuamos, diariamente, a condená-lo. “A luz veio ao mundo, mas os homens preferiram as trevas à luz, porque suas ações eram más”. Ao caminhar com Maria, saibamos acolher a luz que é Jesus, sendo fiéis ao seu mandamento, permanecendo de pé, junto à cruz!

 

Convosco, ó Virgem, partilho
Das penas do vosso Filho,
Em quem a minha alma confia.

Mãos postas, à vossa beira,
Saiba eu, a vida inteira,
Guiar por Vós os meus passos. Amém!

(trecho do Stabat Mater)

 

[1] Frei Raniero Cantalamesa, II pregação quaresmal, 20 de março de 2020.

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