Artigo: São José e o dia do trabalhador

Os séculos XIX e XX foram marcados pelo exponencial crescimento da Indústria com a chamada Revolução Industrial, que unido à produção científica,  alavancou o crescimento da sociedade contemporânea. No entanto, tal expansão ampliou também a forma exploratória de trabalho, principalmente no que diz respeito às excessivas jornadas de trabalho e desigualdade na remuneração salarial.

Diante deste cenário, cresceram a difusão dos ideais de justiça social e do trabalho com manifestações e greves ao redor de todo mundo. O dia 1° de maio tornou-se símbolo desta luta em virtude das manifestações ocorridas neste dia nos Estados Unidos em 1886. A partir de então, em todo o mundo, no dia 1° de maio realizam-se manifestações trabalhadoras que recordam a importância desta luta pela dignidade de todos. Muitos direitos foram conquistados ao longo do tempo, mas continuam constantemente e ainda hoje sendo ameaçados. Por isso esta é e sempre será uma luta atual e necessária.

Em 1955, diante deste cenário, o Papa Pio XII instituiu na Igreja Universal o dia 1° de maio como dia de São José Operário fazendo alusão à luta dos trabalhadores, e reconhecendo como legítima e cristã as que estavam em consonância com o evangelho. A missão da Igreja é levar a mulher e o homem ao contato mais íntimo e direto com Deus. Mas para que este contato se efetue, é preciso garantir uma vida digna e estável para todos. Jesus também se preocupou com a fome material do povo, e assim a Igreja também o faz. Deste modo, solidificados na matéria, com mais proveito se solidifica no espírito.

As páginas do evangelho descrevem José como homem justo. Esta é a principal virtude que se exalta dele. E ele é justíssimo porque tem sempre a lei de Deus ante qualquer coisaAo colocar São José, simples carpinteiro mas chefe da Sagrada Família de Nazaré, como modelo dos trabalhadores, a Igreja quer ensinar que a prática da justiça, e deste modo também a justiça social e do trabalho, só alcançará êxito quando quando entendermos a importância da alteridade que Cristo nos mostra. Isso significa saber se colocar no lugar do outro, compreender suas necessidades, e deste modo não explorá-lo. É reconhecer o outro como semelhante. É a base de todo mandamento de Jesus: amar o próximo com o mesmo amor que Deus nos ama. Quem ama cuida, se preocupa com o outro. E acima de tudo: quem ama não explora, nem coloca o lucro acima do ser humano!

MarcoPRB
Postagem Anterior Próxima Postagem